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Modelagem

Tabelas e Campos

Taxonomia de nomenclatura de tabelas e campos no modelo: prefixos, padrões e convenções consistentes.

Antes de desenhar relacionamentos, classifique cada tabela do modelo por tipo. A decisão de esquema estrela depende disso, e o Padrão Corporativo de Nomenclatura usa essa mesma classificação para escolher o prefixo físico (TabFat, TabDim, TabPon, TabFlt ou TabInt).

1. Tipos de tabela

TipoO que éQuando usarPrefixo
FatoObservações ou eventos do negócio: vendas, pedidos, saldos de estoque, taxas de câmbio. Guarda as chaves das dimensões e os valores que serão resumidosSempre que houver algo a medirTabFat
DimensãoDescreve as entidades do negócio: cliente, produto, fornecedor, calendário. Guarda a chave única e os atributos usados para filtrar e agruparSempre que houver uma entidade usada para filtrar ou agrupar as fatosTabDim
PonteLiga duas dimensões numa relação muitos-para-muitos (ex.: vendedor × região). É uma fato sem valores, só com as duas chavesQuando uma dimensão se relaciona com várias linhas de outraTabPon
Monolítica (flat table)Fato e dimensões numa única estruturaProtótipo rápido, extração única de sistema legado ou cenário deliberadamente simples. Nunca o padrão-ouroTabFlt
InterfaceTabela técnica, fora do esquema estrela: tabela de medidas, parâmetros, data da última atualizaçãoPara organizar medidas ou guardar valores de apoio ao relatórioTabInt

Como o Power BI enxerga o tipo: não existe uma propriedade "fato" ou "dimensão". Quem define é o relacionamento: no relacionamento um-para-muitos, a tabela do lado "um" funciona como dimensão e a do lado "muitos", como fato.

Por que o esquema estrela é o padrão-ouro: as dimensões servem para filtrar e agrupar, as fatos para resumir, e é exatamente isso que cada visual pede ao modelo. Separar os dois papéis permite relacionamentos eficientes, reuso de uma mesma dimensão por várias fatos e melhor compressão no VertiPaq. A tabela monolítica começa rápido, mas cresce mal: cada nova pergunta de negócio tende a exigir duplicar dados em vez de relacionar.

Grão: toda tabela fato precisa ter um grão consistente, ou seja, cada linha representa o mesmo nível de detalhe (uma venda, um item de pedido, um saldo por produto e mês). Misturar grãos na mesma fato gera totais errados.

2. Tipos de campo

TipoO que éExemplo (físico → semântico)Tratamento no Power BI
Chave primáriaIdentifica unicamente cada linha da tabelaCodigoCliente em TabDimClienteMarcar como chave; ocultar
Chave estrangeiraAponta para a chave primária de outra tabela e cria o relacionamentoCodigoCliente em TabFatVendaOcultar; usar tipo inteiro
DescritorDescreve o registro; não entra em cálculoNomeCliente → Nome do Cliente, Segmento"Não resumir"
GeorreferenciadoAlgo que pode ir para um mapa: país, estado, cidade, CEP, latitude, longitudeSiglaUF → UF, CEP, LatitudeDefinir a Categoria de dados (Estado, CEP, Latitude…)
AgregávelValor com resumo matemático que faz sentido: soma, média, contagemValorVenda → Valor da Venda, QuantidadeCriar medida explícita (ex.: Total de Vendas)

Um campo pode ter mais de um papel (o CEP é descritor e georreferenciado ao mesmo tempo). A classificação não é exclusiva: é uma lente para decidir como tratar o campo no modelo.

⚠️ Resumo automático: não deixe o Power BI somar colunas numéricas sozinho. Chaves, códigos e anos ficam com "Não resumir"; valores agregáveis ganham uma medida explícita. É o que pedem as regras de Formatação (desabilitar a sumarização automática em colunas numéricas) e de Relatórios e Visuais (evitar medidas implícitas).

3. Regras relacionadas

4. Onde usar na prática

Ao levantar os requisitos de um projeto novo (bloco Origem dos Dados do Dashboard Canvas), classifique cada fonte por tipo de tabela e marque os campos-chave logo no início. É uma decisão muito mais barata de mudar antes de existir a primeira medida DAX escrita em cima dela.

Fontes oficiais